Diagnosticar Problemas

O turnaround management é uma das mais complexas atividades do mundo empresarial e consiste na reorganização completa de uma empresa em crise para o seu erguimento e a sua consequente perpetuação.
 
Tal reorganização é realizada em várias frentes, que vão desde a administração do relacionamento com os credores para a repactuação das dívidas (workout) até a mudança a implantação de uma gestão empresarial de choque, que trará um novo direcionamento estratégico para a empresa, reestruturando todos seus setores falhos, que são diagnosticados.

Com a empresa diagnosticada e com o início do trabalho de renegociação do passivo da empresa, quando necessário os gestores procurarão possíveis investidores para fomentar o negócio com recursos adicionais para desenvolver e 
realizar todo o seu potencial de crescimento e obtenção de lucro com a consequente salvação da sociedade empresarial.

As instituições financeiras estão preocupadas com o aumento do número das empresas zumbis. São empresas vivem gerando caixa suficiente para pagar seus fornecedores e fazer girar o negócio, mas sua posição patrimonial precária e baixos níveis de sobra de caixa não permitem que essas empresas amortizem seus empréstimos ou façam investimentos necessários para o empreendimento. Sem uma reestruturação eficaz, a pesquisa sugere que esses zumbis poderiam tornar-se alvo de uma nova onda de recuperações judiciais no médio e longo prazo. Uma empresa zumbi tipicamente está na Unidade de Terapia Intensiva, necessitando de ajuda financeira contínua de credores e investidores para continuar suas operações. Empresas zumbis não demonstram necessariamente prejuízos. Tipicamente, elas têm uma lucratividade próxima à zero ou ligeiramente positiva. Entretanto, embora elas gerem receitas suficientes para pagar suas despesas operacionais, elas não conseguem pagar suas dívidas.

Para as empresas, com raras exceções, a crise materializa-se na dificuldade de renovar limites de crédito existentes e no aumento do custo financeiro. O futuro para muitas destas empresas zumbis pode ser sombrio. Isso é torna-se agravante para as empresas que não conseguirem reconhecer seus problemas. Em alguns casos é necessária uma reestruturação profunda da empresa e de seu modelo de negócios. Sem um diagnóstico preciso, o futuro dessas empresas fica seriamente comprometido.

Em casos menos dramáticos, empresas incapazes de gerar recursos suficientes para repagar suas dívidas e manterem níveis competitivos de investimento estarão em condições menos favoráveis para aproveitar as oportunidades que aparecerão durante o ciclo de recuperação econômica. Estes negócios estarão bastante vulneráveis a serem adquiridos ou a perderem terreno para concorrentes.
A lei aprovada em 2005 para facilitar a recuperação de empresas quebradas foi saudada como um avanço. Mas poucas conseguem se reerguer e acabam enriquecendo aqueles que deveriam salvá-las. Assim como a morte, a quebra de uma empresa é coisa da vida. Ao longo dos anos, os países foram concluindo que a melhor forma de lidar com o assunto é tornar o processo o mais organizado possível com o objetivo final de salvar o máximo da operação da empresa, do dinheiro dos credores e, quando possível, da reputação do dono.
Na prática, o mecanismo consagrado para fazer tudo isso é deixar a companhia quebrada funcionando exclusivamente para pagar suas dívidas, mas protegida de eventuais pedidos de falência. O comando deixa as mãos de quem a levou para o buraco e fica com administradores profissionais aprovados pelos credores.
Quando dá certo, a empresa volta a funcionar depois de pagar todo mundo. Quando não dá, os atores do processo, resignados, partem para outra. Para que a coisa toda faça sentido, o número de sucessos tem de ser significativo. É assim em muitos lugares menos no Brasil.

Estima-se que, das cerca de 4.000 empresas que pediram recuperação no país desde a entrada em vigor da nova lei, só 1% delas tenha saído do processo das recuperadas de fato, pouco mais de 10% faliram e o restante continua sob a tutela dos administradores mesmo depois dos dois anos vistos por especialistas como razoável para concluir uma recuperação judicial.
No Brasil, a nossa Justiça trabalhista costuma penhorar bens de sócios ou qualquer empresa que se relacione com a devedora. Embora haja limites para transferir o passivo trabalhista nos processos de recuperação, eventuais investidores acabam tendo de brigar na Justiça para não ser responsabilizados pelas dívidas. 

Os bancos têm horror a processos de falência, que podem durar anos e render poucos centavos por real de dívida. Por isso, acabam aprovando qualquer plano de recuperação, por mais indigesto que seja.
 
Existem, felizmente, os casos de sucesso, onde os investidores de fora perceberam que o negócio era viável após uma limpeza nas dívidas, mas são raros os exemplos em que a lei de recuperação judicial foi além das boas intenções.

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