Desempenho Sustentável - Publicado em agosto de 2007

Desempenho Sustentável

Hoje vivemos muitos desafios corporativos que podem ser superados ou não dependendo da nossa postura. O autor Ricardo Semler no seu livro “Você está Louco!” nos leva a uma reflexão quando questiona aos 100 maiores clientes de um Banco Americano o seguinte:


Pedi que cada um usasse o bloquinho fornecido para escrever a cifra que haviam colocado como alvo, no começo de suas carreiras. Em seguida, pedi que levantasse a mão quem havia superado a marca almajeda, e cerca de 90 o fizeram.
“Pergunto qual a razão para vocês levantarem toda segunda de manhã e irem para o escritório, se já chegaram ao objetivo de vida que se impuseram como empresários?” Silencio sepulcral.

A resposta não poderá ser encontrada nos livros de administração e negócio. A resposta está intimamente ligada a sua auto-estima e o seu sentido da vida. Trabalhar este tema pode fazer a diferença para o empresário de sucesso.

A FGV publicou em 2007 uma pesquisa onde aponta que o cenário macroeconômico tem menos influencia do que costumamos pensar no desempenho das nossas empresas.

O discurso é único, para os empresários os problemas são cambio, impostos, regulamentação em excesso ou falta.

Aquilo que faz a empresa brilhar ou desaparecer tem pouco a ver com questões macroeconômicas segundo os professores Luiz Artur Ledur Brito e Flavio Carvalho de Vasconcelos.

Eles afirmam que o que conta para o crescimento sustentado de uma empresa é o pacote completo que passa, em grande parte, pelas decisões tomadas no dia-a-dia das organizações.

O “efeito empresa” é a soma de tudo o que pertence exclusivamente a uma companhia: suas marcas, pessoas, dirigentes, história, competências, conhecimentos que afetam os seus resultados de forma consistente. Trata-se de fatores que não são compartilhados é o DNA da empresa, segundo Brito.

Bons resultados têm relação com habilidade em conduzir o negócio, gerir marcas, desenvolver tecnologia, portanto, saber gerir recursos – e como recursos entende-se valores que são raros, não imitáveis e valiosos das companhias.

Foram feitas pesquisas (em 2003 e em 2007) em mais de 24 mil empresas e a conclusão mais significativa é que a influência do país onde a empresa está instalada representa somente de 5 a 10% de sua taxa de crescimento. O modo de gerir contribuiu com 46% na variação da performance das mesmas.

As empresas tidas como de sucesso na década de 80, período em que eu era acadêmico na EAESP da FGV em São Paulo, (como por exemplo: Sharp; Arapuá; Aços Vilarres) tiveram erros clássicos de gestão.

O que estas empresas tem em comum é alicerçar as suas operações em favorecimentos de governo, o falecimento do fundador do grupo, e principalmente, a liberalidade na concessão de crédito onde o calote era previsível levando ao fechamento das mesmas.

No mesmo período empresas do mesmo segmento cresceram e se solidificaram. Entre elas destaco as seguintes:

Toshiba;
Casas Bahia;
Gerdau.

Tomar decisões sabendo que elas serão determinantes para o sucesso ou fracasso não é nada fácil. E quando adequadas fazem a diferença no mercado corporativo.

O desempenho das empresas está intimamente ligado a quem decide. O ambiente macroeconômico será um facilitador ou não nesta tomada de decisão do gestor.

A minha experiência nas emissoras demonstrou que a forma de gerir pessoas e a cultura do grupo está diretamente ligada ao resultado. A valorização dos recursos humanos com treinamento, remuneração por resultado, benefícios e motivação em torno de um único objetivo aliado a uma forte marca e investimentos constantes em tecnologia possibilitaram criar um ciclo positivo nos resultados aumentando a capacidade de investimento e criando o que denominamos um ciclo de excelência.

A minha crença está ligada na equação TRABALHO + TALENTO + INVESTIMENTO = SUCESSO.

Tenho a convicção de que estes fatores foram determinantes na mudança da rentabilidade, qualidade, e credibilidade do veículo de comunicação.

Em uma das minhas inúmeras viagens a São Paulo, fui presenteado por um amigo com o livro Transformando Suor em Ouro do Bernardinho. Sou um apaixonado por leitura, principalmente por livros relacionados à gestão. Este foi um presente, com o qual pude me deleitar no retorno de minha viagem.

Bernardinho mostrou com sua experiência que é possível no esporte criar uma roda de excelência. Vínhamos de experiências positivas como a medalha geração prata e ouro mas sem continuidade.

A traiçoeira armadilha do sucesso é um alçapão em que costumamos cair quando, embriagados por eventuais êxitos, passamos a nos achar melhores que os outros, quando não invencíveis, e nos afastamos da essência do sucesso: A PREPARAÇÃO.

O fator externo torna-se menos relevante (de 5% a 10%) para concretizar as conquistas. O seu sucesso pode ser resumido na roda da excelência apresentada em seu livro que tem distribuído ao longo de sua circunferência os seguintes fundamentos:

Trabalho em equipe
Liderança
Motivação
Perseverança/Obstinação/Superação
Comprometimento/Cumplicidade
Disciplina/Ética/Hábitos Positivos de Trabalho.

No vôlei como na vida devemos entender a importância do trabalho em equipe, incentivar as lideranças, manter a motivação sempre elevada, preservar e buscar se superar constantemente, trabalhar o comprometimento e a cumplicidade entre as peças da “grande engrenagem” e ter disciplina e ética, pois são hábitos quer perpetuam os bons resultados.

O autor Jack Welch em seu livro “Paixão por Vencer” ele resume em uma frase o seu pensamento.

Tudo tem a ver com pessoas quando se trata de vencer. Portanto, este livro é sobre pessoas. As empresas vencedoras não permitem que os bons funcionários deixem a empresa por falta de reconhecimento, recompensas financeiras e de outras falhas semelhantes.

A pesquisa apresentada pelos professores da FGV constatou uma verdade que nós que vivenciamos o mundo empresarial sempre soubemos e negamos. A complexidade empresarial separa o vencedor do perdedor quando buscamos resolver internamente nossos dilemas.

Voltemos a refletir a questão feita pelo Ricardo Semler: “Pergunto qual a razão para vocês levantarem toda segunda de manhã e irem para o escritório, se já chegaram ao objetivo de vida que se impuseram como empresários?”.

Os empresários vão trabalhar toda segunda para satisfazer a necessidade de sentir que estão vivos, que tem algo a cumprir enquanto tiverem na terra, que seus talentos precisam de vazão.

Ninguém trabalha por dinheiro. Ele é somente um instrumento de escambo. Quando em demasia ele vira um risco. Do excesso de caixa, inclusive, vêem muitas das bobagens já feitas no mundo dos negócios. É nessa hora que acontecem aquisições desnecessárias, fábricas faraônicas, prédios suntuosos que depois ficam ociosos e planos de expansão de mercado fadados ao insucesso. No melhor das hipóteses são distribuídos para os acionistas e transformados em mansões, helicópteros e carrões. O melhor exemplo quando viram filantropias.

A experiência de criar um ciclo de desempenho sustentável está intimamente ligada aos valores que acreditamos e transmitimos aos nossos colaboradores.

O cenário econômico para os próximos 10 anos na região Centro-Oeste é positivo, mas de nada adianta se não soubermos gerir nossos recursos com princípios de transparência e governança.

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