Liderança Autoritária

“Todos os homens sonham; mas não igualmente. Os que sonham à noite, nos empoeirados recessos de suas mentes despertam para descobrir que era vaidade; mas os que sonham de dia são homens perigosos, que podem dar vida a seus sonhos com olhos abertos para torna-los possíveis.” T.E. Lawrence

No Brasil, em 1997, 738 mil empresas foram abertas, apenas a metade (51,6%) continuou funcionando oito anos depois. Seis em cada 10 empresas (62,5%) em operação têm menos de 10 anos de vida, sendo que quatro (42,5%) ainda não completaram cinco anos.
Na outra ponta, apenas 2,9% resistem há pelo menos 30 anos com as portas abertas. O diagnóstico é da pesquisa Demografia das Empresas, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — os dados se referem a 2005.
Para João Alberto de Negri, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o que determina a longevidade de uma empresa é a capacidade que seus gestores têm de transformar conhecimento em novos produtos e processos. Segundo ele, a burocracia e a alta carga tributária não servem para explicar o insucesso de muitos empreendedores. “Esse é um discurso superficial. As condições são as mesmas para todos, mas por que só algumas dão certo? O mercado hoje é dinâmico. Se uma empresa faz exatamente a mesma coisa há 10 anos, com certeza ela não chegará aos 20 anos”, afirma. “Hoje, vivemos na economia do conhecimento.” 
O que determina a longevidade das empresas é a sua capacidade de ter bons gestores que transformem conhecimento em novos produtos/serviços e processos.
A crença de que o caminho mais rápido para obtenção de resultados é buscar uma obediência autoritária dos seus subordinados pode ser muito perigosa.
A imposição de valores leva a uma presunção de que sabemos o que os outros gostam e precisam e determinam o comportamento autoritário.
A liderança autoritária acaba tendo em torno de si pessoas subjugadas, submissas, dependentes e carentes.
Os liderados que buscam estar atrás de uma liderança autoritária têm como objetivo evitar o comprometimento. A postura do “eu disse que não ia dar certo” é bem mais cômoda do que assumir o compromisso pelo resultado e futuro da organização. O liderado passar a “torcer” pelo fracasso do líder como motivação pessoal tornando-se um câncer para a organização.
O mundo corporativo hoje exige cada vez mais transparência, relações horizontais, desenvolvimento e compartilhamento.
A liderança moderna pressupõe capacidade de mudança e transformação com impacto positivo no clima e em resultados de longo prazo. A capacidade de envolver os liderados nas decisões e desenvolver a equipe completa o perfil adequado do líder.
O saber ouvir, refletir, admitir e executar são etapas de uma mola mestra das grandes decisões. A decisão compartilhada e assumida por todos é a base sólida para o resultado de longo prazo.
As empresas com líderes autoritários tem um alto grau de rotatividade, acima de 15%, dos seus subordinados. O volume de ações trabalhistas reflete a liderança.
O comportamento típico dos profissionais que foram colocados na liderança sem o devido conhecimento e com baixa capacidade intelectual é a metodologia do “BERRO”, impondo sua autoridade impossibilitando o diálogo e o questionamento.
O líder autoritário não tem mais nada a apreender. O mundo gira em torno de si e suas decisões devem ser acatadas e executadas sem nenhuma reflexão.
O pensamento do líder autoritário é: em time que se está ganhando não se mexe. Quando perde, a culpa é do subordinado que não soube executar e deve ser imediatamente eliminado. A frase predileta é: - manda quem pode obedece quem tem juízo.
Vivemos o século da globalização. As empresas necessitam cada vez mais de colaboradores compromissados com as relações pessoais, com o impacto da organização e com as oportunidades de negócios.
O estilo voltado para busca da excelência, estimulando pessoas e desenvolvendo profissionais, mediando a participação de todos com objetivos comuns, fomentando o negócio para o futuro, passa ser o grande diferencial do novo líder.
Nunca conheci uma pessoa que não se animasse ao se lembrar de um líder realmente bom. Os bons líderes podem ser amigos, professores, treinadores, aliados e fontes de inspiração. Eles são capazes de influenciar e acelerar sua carreira.
Os maus líderes são autoritários e gostam de ficar com os méritos, incompetentes, maltratam, humilham, são instáveis, egoístas, não cumprem promessas, e ficam com todos os elogios e recompensas.
No dia-a-dia o mau líder pode aborrecê-lo, magoá-lo e amargurá-lo podendo provocar doenças. Ele tem habilidade de sufocar sua alma.
As boas empresas geralmente conhecem sua liderança e acabam se livrando do mau líder, mas algumas mantêm alguns por mais tempo que o aceitável. Chamo do dilema do resultado. Elas escutam as reclamações, mas vêem ótimos números à sua frente gerando uma inércia organizacional. Infelizmente, neste caso, a organização só acorda quando ocorrer uma catástrofe, o que alimenta as estatísticas feitas pelo IBGE e IPEA.

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