A escolha é sua - Outubro de 2007

Estivemos com um grupo de amigos que exercem funções chaves no mercado financeiro em grandes organizações internacionais. Estes encontros são importantes para que alem da convivência social com pessoas de nossa estima também possamos estar aprendendo muito com relação ao que acontece no mercado mundial.
Esse grupo está hoje na faixa etária dos 45 anos todos profissionais com formação universitária, fluência em mais de dois idiomas, curso no exterior, e uma formação de valores éticos do primeiro mundo.

Nos conhecemos no início da vida profissional e tínhamos os mesmos desejos de vencer profissionalmente.

Os quatro dias em que estivemos juntos pudemos debater diversos assuntos de ordem familiar, pessoal e profissional. Um assunto em especial chamou minha atenção: “O Brasil é um país que permite que as pessoas possam ir da pobreza à riqueza no espaço de uma geração com ética e respeito à sociedade?”.

O Brasil nos últimos anos fortaleceu sua estrutura capitalista ciando um cenário ideal para empresários que não tem medo do risco com senso de oportunidade e inovação. Permanecemos com problemas de uma alta carga tributária, burocracia intolerável e paralisante e custos trabalhistas absurdos que prejudicam o trabalhador formando uma mão de obra informal sem o mínimo de garantias.

O sociólogo Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista que o brasileiro tradicionalmente gosta do Estado. O empresário quer juro baixo e proteção. O brasileiro comum quer um bom emprego público.

O sociólogo Carlos Ribeiro em recente pesquisa divulgou um índice interessante no Brasil temos 4,5 vezes chances de subir na vida do que sofrer um revés. As nossas chances são maiores de sucesso do que de fracasso.

O empreendedorismo tem mostrado ser a mola de desenvolvimento econômico no Brasil. Podemos citar diversos exemplos de empresários que tiveram a oportunidade de ir da pobreza à riqueza em menos de uma geração.

O desejo de correr risco é o ponto em comum destes empresários. Quando recebi o empresário Salim Mattar em Campo Grande –MS fiquei impressionado como pode aos 23 anos de idade com seis fuscas usados transforma-los em uma frota de 50.000 carros no período de 36 anos.

O Brasil é o quinto país em número de habitantes dedicado a um negócio próprio segundo o ranking anual elaborado pela London Business School, divulgado em 2006. Neste público temos os que têm o desejo de correr risco e os que não têm opção motivada por perda de emprego e falta de oportunidade de trabalho.

Abrir a própria empresa está na cabeça de 37% dos executivos conforme apurou em recente pesquisa da H2R Pesquisas Avançadas feita com exclusividade para VOCE S/A, mas não é a única alternativa.

O detalhe que me chamou a atenção na pesquisa é que 95% estão em maior ou menor grau satisfeitos com o que fazem e 40% querem melhorar a qualidade de vida.

O executivo de hoje percebeu que não é refém da relação capital trabalho e que seu maior ativo é o conhecimento adquirido ao longo dos anos, o que pode ser utilizado como um diferencial na implantação de um novo negócio.

As empresas têm em parte investido em seus talentos com reconhecimento, dinheiro e treinamento. As melhores empresas para se trabalhar têm como principal atributo colocar os Recursos Humanos dentre os aspectos essências para o desenvolvimento do negócio.

Quando trabalhamos em uma multinacional americana que tinha um sistema eficiente na identificação dos talentos denominados “High Potencial”, a mesma pecava por não colocar em prática uma política para retenção desses talentos. O tempo maximo de permanência dos executivos era de apenas três anos.

Estamos nos especializando nos processos de avaliação de 10o à 360o, pesquisa de clima, e não percebemos uma revolução cultural que está ocorrendo no seio das nossas empresas com relação aos executivos.

As empresas devem migrar do modelo paternalista ainda focado na administração da cobrança de lealdade em troca de benefícios para um modelo de respeito à individualidade voltado a resultados. O modelo paternalista normalmente coloca o CEO em uma posição de destaque e obriga os colaboradores a aderirem sua à opção ou simplesmente ir embora.

As publicações especializadas têm focado a importância dos programas de remuneração variável de longo prazo, qualificação e motivação para reter os talentos.

O respeito à individualidade dos profissionais na hora de pensar nos benefícios e nas políticas de RH é o grande diferencial que hoje deve ser aplicado.

O fato é que no Brasil temos dois bons caminhos que ainda permitem a ascensão de classes. O primeiro, o empreendedorismo e o segundo, ser um profissional qualificado, treinado e motivado com uma visão expansionista.

A escolha é sua.

Comentários

  1. Temos, sim, grandes oportunidades e só não temos maiores taxas de desenvolvimento e de retenção de talentos porque o brasileiro é imediatista.

    O governo, que representa a sociedade, não investe em educação porque os resultados só se dão no longo prazo. Também não dá incentivo à pesquisa aplicada, como ocorre nos países desenvolvidos.

    As empresas não investem em pesquisas porque seus centros de pesquisa de forma geral estão em outros países e aqui não há mão de obra qualificada, nem incentivos fiscais.

    Por fim, os talentos nacionais ou migram, ou permanecem à sombra de algum cargo público, praga que o governo petista resolveu disseminar ainda mais do que sempre fizeram seus antecessores.

    Precisamos de um choque de empreendedorismo no país.

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